Por Adriano Moitinho Vivemos cercados por sistemas digitais, algoritmos e inteligências artificiais. Mas algo mais profundo está acontecendo do que simplesmente "usar tecnologia": estamos aprendendo a pensar, trabalhar e decidir segundo a lógica das máquinas, enquanto essas mesmas máquinas são construídas para imitar cada vez mais o nosso jeito de falar, escolher, julgar e interagir. É nesse ponto que surge a Tecnomimética , conceito que desenvolvi para propor uma lente mais precisa do que apenas "impactos da tecnologia": olhar para os processos de co-imitação entre humanos e tecnologias. O que é Tecnomimética Na formulação que proponho, a tecnomimética pode ser resumida assim: é o estudo dos processos de co-imitação entre humanos e tecnologias — como nós passamos a imitar a lógica das máquinas, ao mesmo tempo em que construímos máquinas para imitar aspectos humanos. Essa definição traz três ideias centrais. Primeiro, não é só "uso de tecnologia...
Por Adriano Moitinho Enquanto aprendíamos a usar as máquinas, elas aprendiam a nos ler Durante milhares de anos, os seres humanos observaram as máquinas. O agricultor precisava conhecer o arado. O artesão precisava conhecer suas ferramentas. O motorista precisava conhecer o automóvel. O programador precisava conhecer o computador. As máquinas não precisavam conhecer ninguém. Um martelo não precisava saber quem segurava seu cabo. Um automóvel não precisava conhecer as opiniões políticas de seu motorista. Uma calculadora não precisava descobrir se seu proprietário estava triste. Então alguma coisa mudou. No início do século XXI, bilhões de pessoas começaram a carregar máquinas no bolso. Nós as chamamos de smartphones. Pensávamos que estávamos aprendendo a utilizá-las. Enquanto isso, elas aprendiam a nos utilizar como fonte de dados. O maior questionário da história Imagine que uma empresa lhe entregasse um formulário com algumas perguntas: A que horas você acorda? Onde tra...